“De nada adianta a cota se não tiver permanência dos alunos nas salas de aula. E a permanência não se dá pela intelectualidade, mas sim pelas condições propícias para que as pessoas possam estar ali”. A afirmação foi feita pelo senador Wellington Fagundes (PR-MT), líder do Bloco Moderador, durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos do Senado, nesta segunda-feira, 3. O evento teve como tema “Cotas nas Universidades e o Compromisso com a Permanência”.

Segundo o senador republicano, a adoção da política de reserva de vagas, popularmente tratada como cotas étnico-raciais, de fato representou um grande avanço na busca da igualdade de oportunidades para todos brasileiros.  Porém, é necessária a previsão de políticas públicas que garantam a sustentabilidade dos acadêmicos, com foco na permanência do educando, algo que tem tido falhas significativas em algumas universidades.

Fagundes manifestou seu apoio ao debate como caminho para solucionar o problema, de forma a evitar a evasão dos alunos cotistas – incluindo indígenas – nas faculdades.  “Me formei numa universidade pública e sei o quanto ainda infelizmente existe a força da discriminação” – destacou.

Segundo Wellington Fagundes, a luta contra o preconceito e a discriminação – bem como as alternativas para acessar o ensino superior e a permanência – devem ser uma constante pela busca da igualdade. “Essa é uma causa de todos nós. Espero que um dia não precisamos registrar que uma pessoa é branca para defender a igualdade no Brasil. Mas se for necessário vamos falar sim que apoiamos essa causa” – disse.

Na ocasião, Wellington aproveitou para prestar tributo à população de Vila Bela da Santíssima Trindade, primeira capital de Mato Grosso. Cidade projetada em Portugal, Vila Bela foi a primeira capital brasileira na costa fluvial e se notabilizou pelo símbolo da resistência, através do reinado de Teresa de Benguela, líder quilombola durante o século XVIII. Sob sua liderança, a comunidade negra e indígena do Quilombo Quariterê, na região do Vale do Guaporé, resistiu à escravidão por duas décadas.

Fagundes ainda destacou o apoio à causa dando destaque è ONG União de Negros pela Igualdade (Unegro) em Mato Grosso, liderado por Luzia Aparecida do Nascimento, esposa do professor Manoel Motta, seu segundo suplente no Senado. Também destacou, durante a audiência, o esforço de Valfredo de Brito, único negro contemporâneo da época de faculdade, com cuja família mantém estreitos laços de amizade.

Da audiência pública participaram Mário Resende, especialista em Estudos sobre Permanência Estudantil; Thiago Thobias,  co-idealizador das bolsas, via cartão, para Indígenas e Quilombolas; professor  Pedro Rodrigues Curi Hallal, reitor da Universidade Federal de Pelotas;  Roberto Leher, reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro; Frei David Santos OFM, da EDUCAFRO; Déborah Duprat, vice Procuradora Geral da República e representantes da Casa Civil e do Ministério do Educação.