O senador Wellington Fagundes (PR-MT) cobrou nesta terça-feira, 26, um forte ataque aos ‘juros extorsivos’ praticados no Brasil pelas instituições financeiras de crédito. A queixa do republicano aconteceu durante a sabatina, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), dos indicados pelo Governo para a presidência e diretorias do Banco Central. Fagundes foi o primeiro de vários senadores que trataram desse mesmo tema – demonstrando insatisfação com a política de juros.

Ele pediu aos futuros diretores inspiração em Roberto de Oliveira Campos, ex-senador de Mato Grosso, um dos fundadores do Banco Central. Nascido na cidade de Nossa Senhora do Livramento, Campos é considerado o ‘pai do liberalismo’ no Brasil. O indicado para a presidência do Banco Central, Roberto de Oliveira Campos Neto, é neto do falecido senador, a quem o parlamentar fez um breve histórico de atuação econômica e parlamentar.

“Livre o Brasil dos juros extorsivos. Que se liberte das amarras do sistema financeiro internacional que, às vezes, não quer olhar o cidadão que está lá na Amazônia, protegendo as nossas riquezas e a biodiversidade, e que não tem o apoio necessário para promover o seu desenvolvimento” – salientou.

Ainda questionando as medidas que precisam ser adotadas para redução da taxa de juros ao consumidor, Wellington enfatizou que os cinco maiores bancos brasileiros detêm mais de 80% dos empréstimos e costumam ser as empresas mais lucrativas no mercado nacional, pela comparação do retorno sobre o patrimônio líquido, e não apenas do retorno em termos nominais.

Mesmo assim, lembrou que diversos bancos estrangeiros se retiraram do mercado nacional, particularmente do mercado de banco de varejo. Para Fagundes, essa questão precisa ser atacada pela nova diretoria do Bacen. Fagundes foi relator da indicação do economista João Manoel Pinho de Mello para a diretoria de Organização do Sistema Financeiro do banco.

Wellington insistiu na necessidade de medidas para o Brasil sair da estagnação e sugeriu caminhos para melhor distribuição de recursos com juros acessíveis para os que mais geram emprego no país. Ele  citou como exemplo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Infelizmente, não consegue chegar na ponta. Há 8 anos foi aberta linha de crédito para a Amazônia no valor de R$ 6 bilhões, mas menos de 3% foram aplicados pela falta de visão do social” – criticou.

 

O republicano lembrou que o modelo bancário brasileiro se escora apenas nas garantias de crédito, sem ver a capacidade do pequeno e do médio produtor. Observou ainda que, apesar de a política monetária da atual gestão do Bacen ter conseguido “eficientemente controlar a inflação”, ainda não se vislumbra um retorno sólido do crescimento econômico e uma queda consistente das taxas de desemprego no Brasil.

Fagundes ainda questionou os sabatinados se atual política monetária não tem sacrificado excessivamente a atividade econômica, e cobrou indicação das medidas a serem tomadas pelo Governo em paralelo à política monetária do Bacen, a fim de se retomar o crescimento da economia do país. “É preciso definir se o combate à inflação deve ser priorizado ou é mais importante um afrouxo monetário para combater as crescentes taxas de desemprego e o ambiente de retração econômica” – assinalou.

ILUSTRE DE MATO GROSSO – Antes de questionar os indicados do Governo para a diretoria do Banco Central, o republicano aproveitou para falar sobre o economista Roberto Campos, que foi senador por Mato Grosso entre 1982-1990, após “cumprir com brilhantismo um excepcional trabalho nos mais diversos postos chaves do país”. Campos, cujo neto foi indicado para ocupar a presidência do Bacen, foi criador e presidente do BNDES. Em conjunto com outros, criou o Banco Central do Brasil e o extinto BNH. Esteve à frente do FGTS e também do Estatuto da Terra.

Liberal ao extremo na carreira parlamentar, segundo Fagundes, Campos foi um contestador e defensor intransigente da independência do Banco Central, tese que deve ser tratada ainda este ano pelo Congresso.

Wellington Fagundes relatou passagens do ex-senador na defesa de suas idéias e observou que, “acima de tudo, Roberto Campos foi um dos maiores realizadores de obras”, ao conseguir linha de crédito para Mato Grosso na ordem de 100 milhões de dólares, usados pelo Governo realizar “o maior e mais ousado programa de infraestrutura jamais visto no Estado”, entre os quais, a pavimentação de 2 mil quilômetros de rodovias federais.